23/01/2026 | 09:11 | SECOM | Por Rafael Matos | SPAF
Ferrovias de Santa Catarina movimentam 6,1 milhões de toneladas em 2025
Apesar do volume expressivo, o estado opera com apenas 26% de sua malha instalada; carvão e soja lideram os transportes pelo modal.
Divulgação / FTC

FLORIANÓPOLIS – As ferrovias catarinenses encerraram o ano de 2025 com a marca de 6.172.708 toneladas de cargas transportadas. Os dados, apurados pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF) com base em registros da ANTT, revelam um equilíbrio entre as duas principais operadoras do estado: a Ferrovia Tereza Cristina (FTC) e a Rumo Logística, cada uma responsável por cerca de 3,08 milhões de toneladas.

O "Raio-X" da Carga

O desempenho ferroviário de Santa Catarina está fortemente concentrado em commodities. Dois produtos sozinhos representam mais de 76% do volume total:

  • Carvão Mineral: 2,5 milhões de toneladas (abastecendo a termelétrica Jorge Lacerda).

  • Soja: 2,1 milhões de toneladas (com destino ao Porto de São Francisco do Sul).

  • Milho: 853 mil toneladas.

  • Contêineres: 566,6 mil toneladas.

Outros itens como bobinas de aço, combustíveis (gasolina e diesel), adubos e ureia completam a lista de movimentação.

Destaque Nacional em Imbituba

Um dado que coloca Santa Catarina em evidência no cenário nacional é a eficiência do Porto de Imbituba. Através da FTC, o terminal movimentou mais de 560 mil toneladas de contêineres — o que representa 43% de toda a sua operação de contêineres.

"Este índice faz de Imbituba a instalação portuária brasileira que, proporcionalmente, mais utiliza a via ferroviária para receber ou expedir contêineres", destaca o relatório da SPAF.


O Desafio da Subutilização

Embora os números sejam robustos, o governo estadual alerta para um gargalo logístico: a ociosidade dos trilhos. Santa Catarina possui 1.373 km de malha instalada, mas apenas 373 km estão em operação. Isso significa que 73,6% da rede ferroviária do estado está desativada.

Para o secretário da SPAF, Beto Martins, o setor produtivo aguarda soluções urgentes. "O potencial das ferrovias vem sendo subutilizado. Estamos liderando um movimento no Codesul para garantir que Santa Catarina tenha voz na discussão nacional sobre renovação de concessões e novos investimentos", afirma.

Futuro: Novos Projetos e Legislação

Para reverter o cenário de baixa conectividade, o estado aposta em duas frentes:

  1. Infraestrutura: Dois grandes projetos somando 381 km de novos trilhos (Chapecó–Correia Pinto e Navegantes–Araquari) têm previsão de conclusão para 2026.

  2. Legislação: Em 2025, foi aprovada a Lei que criou o Sistema Ferroviário do Estado de Santa Catarina (SFE-SC). A nova norma permite que o estado autorize explorações privadas e concessões, agilizando a expansão do modal sem depender exclusivamente da esfera federal.

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