O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Santa Catarina prestou socorro a 4.972 ocorrências de acidentes de trânsito entre janeiro e abril de 2026. O balanço reforça o alerta para o movimento Maio Amarelo, mês dedicado à conscientização e segurança nas vias. Mantendo uma tendência observada desde 2024, a Grande Florianópolis lidera o ranking estadual com 1.257 atendimentos, seguida pela Foz do Rio Itajaí (827) e pela região Sul (785).
A alta concentração de casos na região metropolitana da capital é impulsionada pelo fluxo diário intenso entre as cidades vizinhas, viagens a trabalho e o uso em massa de motocicletas para serviços de entrega. Nas demais macrorregiões do estado, o Samu respondeu a 752 chamados no Extremo Oeste, 494 no Vale do Itajaí, 396 no Meio-Oeste, 309 no Norte/Nordeste e 152 na Serra Catarinense.
Para cobrir a alta demanda do primeiro quadrimestre deste ano, a estrutura do Samu foi mobilizada em diferentes frentes: as Unidades de Suporte Básico (USB) realizaram 3.970 atendimentos, enquanto as Unidades de Suporte Avançado (USA) — que contam com médicos e UTIs móveis — foram acionadas 784 vezes. O serviço também utilizou a agilidade das motolâncias em 160 ocasiões e o suporte aeromédico em 58 resgates de alta gravidade.
Os dados estatísticos acendem um sinal de alerta vermelho para quem anda de moto. Nos quatro primeiros meses de 2026, impressionantes 71% de todos os acidentes de trânsito atendidos pelo Samu envolveram motocicletas, e quase metade do total geral (46%) correspondeu a colisões diretas entre carros e motos.
O cenário já vinha dando sinais de agravamento no ano passado. Entre 2024 e 2025, as batidas envolvendo motos e veículos subiram mais de 11% no estado, saltando de 5.903 para 6.563 registros. No cômputo geral de todas as ocorrências de trânsito, Santa Catarina fechou 2025 com 13.633 atendimentos, o que representou uma alta de 6% em comparação com os doze meses do ano anterior.
"A motocicleta é ágil e econômica, mas oferece menor proteção ao condutor, o que aumenta drasticamente o risco de traumas graves. Uma escolha imprudente de segundos pode gerar consequências para a vida inteira", alerta Nicholas Klein, coordenador médico das USAs do Samu na Grande Florianópolis.
As autoridades de saúde reforçam que os acidentes geram um efeito cascata que sobrecarrega hospitais e centros de reabilitação. Além do socorro imediato nas rodovias e ruas, as vítimas frequentemente necessitam de cirurgias complexas e longos períodos de internação, impactando toda a rede assistencial do Estado.
Marcos Fonseca, superintendente de Urgência e Emergência da Secretaria de Estado da Saúde, destaca que o Samu vem investindo em novas tecnologias e na redução do tempo de resposta para salvar vidas, mas reitera que a direção defensiva e o respeito aos limites de velocidade continuam sendo os remédios mais eficazes. O Serviço de Suporte Avançado do Samu catarinense é uma ação da Secretaria de Estado da Saúde, gerido em parceria com a organização social FAHECE.